sábado, 12 de dezembro de 2009

O Tempo


"Devagar, o tempo transforma tudo em tempo. O ódio transforma-se em tempo. O amor transforma-se em tempo. A dor transforma-se em tempo. Os assuntos que julgamos mais profundos, mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis, transforma-se devagar em tempo. Mas, por si só, o tempo não é nada, a idade não é nada, a eternidade não existe."

José Luis Peixoto - dramatugo portugues

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Fiéis atenção: Estou abrindo uma Igreja

IGREJA TAYLORCÊNTRICA DO 8º DIA.
Anote aí pois estou precisando de fiéis.

Não pensem que mudei meus conceitos e pretendo salvar almas, leva-las para o céu, realizar milagres, curas, ou coisa do tipo. É que na atual situação financeira estou a procura de meios de, senão ganhar dinheiro, deixar de pagar impostos e de forma legal. Explico:

Acompanhando reportagem da Folha de São Paulo, não pude conter à tentação e vislumbrar a possibilidade de "montar meu próprio templo", (só no papel, viu). Abrir uma igreja no Brasil custa cerca de R$ 450,00 (taxas, emolumentos, certidões, registro, etc..), não demora 15 dias, não precisa de relação de fiéis, pode ser num cômodo no fundo lá de casa, e o dinheiro arrecado através das doações dos meus fiéis (depois entre em contato para pegar o numero da conta) posso aplica-lo, ter rendimentos e não pago IR e nem IOF. Tudo dentro da lei.

A Constituição brasileira prevê que "negócios" dessa natureza estão isento de impostos e isso me atraiu muito. Agora pergunto: Por que o Estado isenta algumas "atividades" e outras não. Não somos uma nação democrática? Parece que não.

Sugestão: monte uma oficina de carros, lavanderia, buteco, enfim, registre como Templo Religioso e enquanto faz os serviços para seus clientes vá "pregando, e pregando". Com certeza vai economizar bastante. Pode ainda realizar uns milagres (nesse caso o serviço tem preço especial).

É a nossa realidade, enquanto precisamos de milagres para sobreviver no dia a dia oneroso de nosso país, entidades religiosas são beneficadas para promover a cura a seus fiéis. Ou seja: o milagre dos números para o dinheiro "dar" no final do mês é voce quem faz, o lucro é dividido entre santos, pastores, padres, obreiros, sacerdotes, diáconos, presbíteros, e os tesoureiros; estes últimos são os homens de deus que cortam o mal pela raíz, por isso recebem o título de tesoureiros. (bem acho que é isso). Fiquem em paz.
Taylor de Freitas

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Próximo Destino: Argentina e Uruguai

Tenho a consciência que estou em dívida (quase na dívida ativa) em relação ao proposto e prometido em relação à viagem que fiz à Bolívia, Peru (Machu Picchu)http://oeste.inca.zip.net/). O Projeto inclui um documentário ( já em elaboração) e de material a ser fornecido as escolas públicas: pretendo realizá-los mas, é sabido, os afazeres são muitos, etc e tal. Enquanto isso não acontece termino 2009 e começo 2010 com a programação pronta em mais uma viagem à América Latina. Dessa vez, Argentina e Uruguai em Outubro de 2010. Roteiro pronto, previsão de despesas, informações das cidades, hostel (não assuste é hostel mesmo, entenda albergue), transporte, e por ai vai.
O Roteiro inclui Mar del Plata (cidade costeira - Oceano Atlântico com seus cassinos), San Vicente, Rosário, Buenos Aires, La Plata, General Rodriguez. Será ainda feita a travessia da Argentina para o Uruguai pelo Rio da Prata passando por Colônia e Montevideu no Uruguai. Se o tempo permitir conhecerei também Punta Del Leste. Para não desprezar os centros urbanos brasileiros, no retorno a programação prevê Porto Alegre-RS, Gramado-RS (ainda em fase de estudo) e Curitiba-PR. É isso.

Talvez possa estar achando que rios de dinheiros serão investidos nessa nova empreitada, pois essa foi uma pergunta comum quando fui a Bolívia, Peru (Machu Picchu). Mais uma vez repondo: Não. Sem desmerecer as belezas das terras brasileiras, viajar, sobretudo pela América Latina não é tão caro como parece e é bem mais barato do que se pensa. Fora a questão financeira, o fato de lidar com outros povos, outras formas de viver e pensar com certeza faz um bem que nem ninguém nem nada pelo que passou possa ter lhe propiciado. A experiência é inexplicável. Sugestão: pense nisso. Com um pouco de coragem, atitude, vontade e olhar crítico voce poderá viajar, aprender e ensinar. Mais que isso, poderá cultivar o processo de lidar com o diferente e vivenciar um pouco da diversidade desse imenso mundo povoado de tudo e de todos. Não me deseje boa viagem, mas sim venha comigo.
Taylor de Freitas

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O homem perfeito.



Nao se preocupe: pessoas perfeitas somente são encontradas em dois lugares, ou no cemitério ou no curriculum vitae.
Taylor de Freitas

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Música: a juventude organizada


As maiores "marcas" de um país, de um povo, de uma nação está nas suas manifestações culturais. São diversas, mas a música tem um poder incomensurável. Atinge os timpanos, o coração dispara - ou para -, o cérebro acusa, e o corpo se mexe, ou em outras casos, "anoitece". O que se pode dizer é que a música provoca muitas reações. Os estilos: os mais variados possíveis e seja qual for, faz bem. Você que curte o sertanejo nunca "se pegou" cantando um funk. Quem nunca assobiou uma música internacional mesmo sendo super a favor dos rock´s brasileiros. Me diga quem não sabe pelo menos uma letra das músicas da Xuxa, mesmo odiando a loira. Os amantes da música lenta sempre arriscam um passe de forró universitário. Os apaixonados pela MPB gostam de umas "batidas" novas através da mistura de sons. O importante é organizar-se e apresentrar trabalhos sérios. O homem na condição de ser plural, ou seja: hora aceita, hora rejeita, está aberto a todos os sons musicais sem preconceito. Na individualidade do sujeito se comporta assim, mas em sociedade, às vezes, despreza certas tendências somente para se portar bem perante o grupo. Coisa do passado (não que eu seja contra o passado). Para quem curte um som diferente, inovador e envolvente, faça uma visita em: http://www.myspace.com/gerragdj e boa música pra voce.
Taylor de Freitas

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Que falem as mulheres

"Nós mulheres somos sensacionais. Não broxamos. Não ficamos caretas. Temos um dia internacional. Podemos sentar de pernas cruzadas, porque não dói. Podemos usar tanto rosa como azul que combina. Temos prioridades em boates e em diversos lugares. A idade não atrapalha o nosso desempenho sexual. Se somos traídas somos vítimas, se traímos ELEs que são cornos. Sempre sabemos que o filho é nosso. Não pagamos a conta, no máximo dividimos. Podemos dormir com a amiga e nem assim somos chamadas de lésbicas. E por último: fazemos tudo que um homem pode fazer, só que de SALTO ALTO."
Taylor de Freitas

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Inventos en la oscuridad

De repente, de un día para el otro, descubren soluciones simples que hubiera sido fantástico conocer mucho antes. Por ejemplo, que los coches pueden funcionar con electricidad. O con luz solar. Hay quienes dicen que funcionan hasta con cocacola tibia, pero no lleguemos a tanto.
Quedémonos em la electricidad, porque Volvo va presentó el primero, y por detrás vienen otras grandes marcas. ¡Con electricidad, y lo dicen ahora! No es una solución más compleja que la gasolina: es mas sencilla. También mas barata y menos nociva. Pero en lugar de descubrirlo hace sessenta años, los señores vienen y lo descubrem ahora. Ahora que las ciudades ya están hasta el cogote de smog, ahora que ya nos gastamos un sueldo entero al año em combustible, ahora que se acaba el petróleo.
Permítanme dudar. Pero cuidado: nos es una duvida sobre la real existencia del invento, ni sobre si funciona bien o mal; es una duda sobre si realmente lo inventaron ahora y no antes. La duda es sobre cuanto tiempo están cajoneados, a oscuras, los avances tecnologicos.
Esta semana, em Suiza, se dio a conocer otro invento increíble por lo simple, por lo necesario. Inventaron um aparitito que permite recargar el celular con el calor del cuerpo. Además, el prototipo se abastece com la diferencia de temperatura entre la fuente de calor y la del ambiente, por lo que no contamina (como las baterias o las pilas).
Y, trás carton, resulta que la fabricacíon de estos generadores es diez veces más barata que lo que venimos usanda hasta hoy. Quien dice recargar el celular dice la computadora portátil, el iPod, etcétera. Es decir: parece que las pilas no eran tan, tan necesárias ¿Cuántas habremos comprado lo largo de nuestra vida ¿Cuántas habremos tirados a la basura con culpa, sabiendo que destruíamos el planeta? ¿Cuántas veces no habrá agarrado del cuello el empleado de seguridad del supermercado, diciendo "qué llevás en el bolsillo"?
Hacer larguíssimas colas para llenar el tanque la noche anterior a un aumento imprevisto; salir a comprar pilas a las tres de la mañana de un domingo para desgrabar una nota; olvidarse el cargador del teléfono en casa, y saberlo en un hotel a mil kilómetros; quedarse sin nafta entre San Clemente y Santa Teresita, caminar y caminar con dos bidones al rayo del sol; chupar esa manguerita infame para sacerle combustible a otro auto, vomitar; quedarse sin batería en el celular em medio de la nada. Todos esos baches de la vida podían haberse evitado.
Pero no: Los señores van presentando sus inventos de a poco, no sea cosa que de golpe nos convirtamos em consumidores felices. Nunca se descubre nada a tiempo, siempre tarde.
Pienso em la valija com rueditas, quizé el invento mas útil del siglo veinte, pero también la prueba de nuestra desidia. Porque la rueda se inventó al final de neolítico, y la valija común en el año 726. Entonces, ¡catorce sgilos estuvimos llevano las valijas en la mano, habiendo ruedas! ¿Por qué tardamos tanto em ponerle bolitas redondas a la vajilas, si las cosas separadas existieron siempre? Lo dicho: nos esconden la felicidad hata último momento.
Hernán Casciari
Escritor Argentino http://orsai.es

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

E nós?

Sempre se busca entender quem é o brasileiro, a sua identidade. Já temos muita gente pra isso (eu acho), portanto, nao me atreverei, mas alguns detalhes precisam ser enfatizados. Fui "ensinado" - não sei por quem - a falar do que vejo, percebo. Um instinto racional. Portanto me sinto habilitado para tais comentários, ressaltando que não há nada de inédito; não se entusiasme.
A questão é: como vivemos em pleno modismo ou de modismos e esquecemos o que nos rodeia. Somos movidos pelo presente e, sobretudo pelo futuro. Isso faz com que, apesar de estranho, o presente se torna quase que automaticamente em passado. Vamos aos temas:
Na política os fatos tem uma facilidade imensa de transformarem-se em passado: Caixa 2 da campanha do Lula, Mensalão, Marcos Valério, Sarney. O Presente já tem cara e problemas de futuro: A divisão dos possíveis lucros do pré sal, Copa do Mundo, os gastos e os "retornos" das Olimpíadas no Rio, e claro, as eleições presidenciais.

Na economia: Redução de IPI que era por pouco tempo já virou bandeira política. A reforma tributária: quando? O Bolsa Família, antes emergencial, agora essencial. Necessário processo político e "criadouro" de brasileiros preguisoços - fora as fraudes. Juros que vão e vem.

A violência a cada dia muda de estilo: bala perdida já tá na moda. Sequestro relampago, filho que mata os pais e vice e versa. Polícia que é bandido. E nós, passivos: desfilamos de camisetas brancas e fincamos cruzes pretas na areia da praia de Copacabana. Seria cômico se não fosse inaceitável.
Teríamos aqui outros diversos temas, mas são recorrentes, repetitivos. Cansariam o apressado leitor.

E nós; ou pelo menos a maior parte de nós. Preocupados com que creme devo passar no rosto, se hoje no almoço como brócolis ou alface com carne branca grelhada. Se o brinca irá combinar com a meia calça que aliás é inteira. Se vou parecer mais ou menos bonito após me "bombardear" na academia. Se o som do meu carro "berra" mais alto - leia-se, incomoda mais - que o do outro. E o mundo?
Este passa, ao lado, revirado: atrocidades, na velocidade do urbano, da cidade. Atinge a todos, independe a idade. Talvez curiosidade, presa fácil pra maldade; inencontrável felicidade. Quantidade versus qualidade. Crueldade? Verdade! Levante-se já é tarde.

Taylor de Freitas

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

"Só dá valor quando perde"

"Só dá valor quando perde". Esta expressão talvez seja a mais dita e a mais verdadeira no conjunto dos ditados populares. Pode ser aplicada nos mais diversos "setores" da vida humana. Exemplo: A Secretaria de Educação do Estado de Minas Gerais, já para 2010, pretende senão extinguir, centralizar e diminuir as vagas para o ensino médio no horário noturno. A explicação é a falta de alunos, de recursos, problemas nas escolas, dentre outros. Culpa da Secretaria? Também. Mas o Estado não está sozinho. Os alunos, muitas vezes protegidos pela família, não valorizam a escola, espaço de aprendizagem. A adolescência "moderna" não tem tempo pra dedicar-se aos estudos, mas como diz o titulo, só irão valorizar quando perderem. A conta é bem lógica e prejudicará, sobrtudo os menos favorecidos. Vivemos no mundo do trabalho: trabalhar de dia, estudar à noite; no entanto sem o ensino médio em horário noturno, ou menos pessoas poderão trabalhar ou menos poderão estudar; conta perniciosa independente de qual seja o resultado. Outro lado da questão, já citada acima é falta de interesse de alunos - e de alguns professores. Aquele estudante que cursa o ensino médio em escola pública não tem qualquer custo, e como é de graça, não se dedica. Ao findar o ensino médio, vai teoricamente estudar os mesmos conteúdos, temas, etc... no cursinho, no qual não falta, no qual a família cobra a presença, resultados. É o ciclo vicioso capitalista. Mais uma prova, talvez, de que o conceito de igualdade proposto pelo socialismo não daria certo. "De graça eu não quero, o negócio é movimentar o capital".
Taylor de Freitas

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Chovendo Desgraças

O Chuveiro tem temperamento, alguns ligam, outros nos devolvem a fé.
A ducha de casa funcionava perfeitamente com exceção de um detalhe: a gota fria no meio da enxurrada quente. Não sei de onde vinha, como vinha.
Era um pingente de lago russo.
No inverno, aquela gota gerava um maremoto de raiva. Quebrava o rítmo aconchegante do calor, desconcentrava o apetite. Eu deixava de saborear o resto da torrente para analisar sua origem intrusa, intrigado com o milagre.
De que maneira a gota furava o aquecimento?
A gota dava um tabefe e sumia. A cada dois minutos. Cronometrava, contava alto.
Mais certeira que cuspe de calha de calha, de ar-condicionado. Tumtum nas costas~. Não havia como escapar dela. Usei touca de plástico, óculos de mergulhador, equipamentos submarinos. Não surtia efeito, o minúsculo lóquido prosseguia com sua acupuntura autodidata.
Tremia ao sair do banho. Sua queda na carne retirava o luxo do banheiro vedado, trancado, com estufa. Era uma porta aberta no corpo.
Acabava com a minha custosa técnica de abrir a torneira no ponto certo, sem a luz despencar. Complciado atingir o limite ideal do registro, firmar o estalido de cofre, acertar a temperatura.
Eu me preparava para a surpresa. Aumentava a sensibilidade para reconhecê-la. Fechava os poros para abri-los assustados.
Vinha como um remédio de criança. Sôfrego. Uma gota de paralisia. Caía lentamente separando as vértebras.
Foram três anos lutando contra o pingo e perdendo. Exigia uma atitude aos pais, conversava com os três irmãos e ninguém notava sua aparição. Não trocaram de aparelho. Ele permaneceu, eu é que abandonei a casa.
Minha adolescência durou menos que o chuveiro elétrico.
Dessa guerra caseira, herdei a sina de não abandonar problemas. Se há uma dificuldade, tenho que resolvê-la no ato. Paro tudo o que estou fazendo e tento consertar. A leve irritação vira ofensa pessoal.
Não suporto uma conta em aberto, uma tarefa inacabada, uma inimizade; maltro-me até resolver as pendências. Mas sempre existe um pedido, uma nova reclamação ou um desentendimento. Ter pressa é nao ter paz.
Bastaria seguir adiante para me acostumar. Mas não, meu medo de esquecer me impede de lembrar. Fico travado, em greve, batendo na mesma tecla, insolente, insatisfeito, renitente, sem sair do lugar do incômodo.
Elimino a sensação de toda água quente que passou pelos ombros para valorizar, uma bolha gélida. Faço com que todas participem de minha mobilização imaginária. Se alguém ficar de fora será mais uma gota a ser combatida.
É uma pequena pontada que tronsformo em dor que elevo em trauma que glorifico em incompreensão.
Interrompi vários momentos bons de minha vida pela birra com um detalhe.
O que me leva a crer que não procurava a falha, criava a falha, me dedicava para que o mal-estar prosperasse e justificasse o meu empenho na briga.
Depois do escândalo, preparava outro escândalo para compensar o despropósito da raiva. Não desistia de argumentar para sustentar o erro.
Não é fácil me desligar.
A gota acentuava tão-somente a minha frieza.


Texto de:
Fabrício Carpinejar - Poeta, escritor, jornalista, autor de: As Solas do Sol, Um Terno de Pássaros ao Sul, Terceira Sede, Biografia de Uma Árvore, 30 segundos, Caixa de Sapatos - Antologia, Cinco Marias, Canalha, dentre outros. www.fabriciocarpinejar.blogger.com.br