sexta-feira, 18 de julho de 2014

Dicas de Planejamento

Duas coisas ocorrem:
1º - Pessoas dizem: Nossa, você é rico, viaja pra todo lado.
2º - Como você faz pra viajar assim?
Prefiro sempre a segunda. Vamos ás minhas contas que espero servir como dicas:
Planejamento é fundamental, pra tudo. Ponta do lápis. Depois de escolhido o destino, mãos a obra. Algumas perguntas já devem estar respondidas e esclarecidas.
O tempo é suficiente? Do contrário vai ficar viajando de ônibus, trem avião e não vai desfrutar de lugar nenhum. Não dá pra ir em todos os lugares, países, cidades ao mesmo tempo na mesma viagem. Alguma coisa vai ficar de fora. Eleja prioridades.
Qual o meu objetivo?
Claro que é viajar e conhecer, mas vamos melhorar a resposta a essa pergunta. Quando eu viajo para outros países, sobretudo, não estou tão preocupado em luxo. Evidente que não precisa ficar pedindo carona, dormindo na rua, etc... mas não vejo como principal necessidade um hotel 3 estrelas. Dou muito valor aos albergues. Além de ter um custo muito reduzido te dá oportunidade e o ensinamento de viver, mesmo que seja pouco, em comunidade, de dividir as coisas, até o banheiro, e de conhecer pessoas de onde você nunca imaginava conhecer. Albergue é assim. Tudo de bom.
Tenho dinheiro suficiente?
Como eu disse, na ponta do lápis. Faça as primeiras pesquisas ( detalhe, eu já começo isso com 10 meses, um ano de antecedência ) e vá anotando tudo, passagem, transporte, comida, etc... Monte um roteiro dia a dia dos locais onde vai passar ( o excel ajuda muito nessa hora ) e vá anotando quanto vai gastar de café, almoço, lanche, passeios, transporte, hospedagem, etc.... alguns números você terá de forma precisa. Pesquisa sobre deslocamentos se é melhor ônibus, van, trem, avião low-cost, e por ai vai. Muitos valores você terá com precisão, outros, por aproximação, não tem erro. Ao final da planilha com o seu custo você verifica onde pode mexer. Se sobrar dinheiro tire dinheiro para jantar num barco no Rio Danúbio em Budapest, se faltar dinheiro, diminua o custo do almoço ou do jantar de alguns dias, procure onde estiver um supermercado mais perto, compre uns pães e tá tudo tranquilo. É assim que funciona.
Hospedagem?
Definida a verba que tem para gastar é bom você reservar, se não todas as estadias, pelo menos algumas ( eu faço isso, reservo algumas, vai que eu não gosto de uma cidade, se tiver reserva vou ter que pagar, como não tenho vou pra onde eu quiser ). Existem sites que permitem você fazer reservas com antecedência ( eu faço com 4 5 meses e vou monitorando pra ver se o preço baixou ) sem pagar por essas reservas. Geralmente você pode cancelar em até 30, 20 a5 dias antes da viagem sem qualquer custo. Eu uso o www.booking.com e nunca tive problemas.
Passagem?
Não adianta querer comprar a passagem com um ano de antecedência, o ideal é na casa dos 4, 3 meses. Muito tempo antes as companhias aéreas não sabem precisar como estará o mercado e colocam o preço mais alto. Com 4 meses já é próximo da realidade. Pesquise em diversas companhias, preços, opções. Analise bem, talvez um voo mais barato vai te fazer ficar parado um dia a mais. Coloque na ponta do lápis o custo com comida, etc... pra ver o que compensa mais. Faça conta de tudo. Mude um dia pra lá, outro pra cá, isso faz uma diferença grande no preço da passagem.
Informação é tudo? É, pode ter certeza.
Reúna o máximo de informações dos locais onde você vai. A melhor maneira é ler o relato de quem já foi. Um te fala uma coisa, outro complementa com outra, e pronto, em pouco tempo, no planejamento você já sabe muito do local onde vai sem ainda ter ido. Isso te traz tranquilidade e segurança na viagem.
Procure saber tudo sobre possíveis vistos, vacinas, dinheiro, etc... Os relatos de quem já foi é o que há.
Como me comporto?
Lembre-se, você não está no seu país, por mais eu fale a língua local você não é um nativo. Portanto, fique bonitinho e não queira fazer tanta graça. Pergunte, seja educado, pergunte de novo, peça descontos. Tudo isso é a viagem.
Encare tudo, a espera, os apertos, as alegrias, as raivas como a viagem. Faz parte
 
Feito isso: vá
 
Viajar não é questão de dinheiro, é de coragem. Viajar é sagrado, a humanidade sempre viajou.
Viajar é a experiência de deixar de ser quem você se esforça para ser e se transformar naquilo que você realmente é - Paulo Coelho

Taylor de Freitas  -  email:  taylor.divi@hotmail.com

sábado, 29 de março de 2014

Uruguai - Punta Del Este - Março/2014

Já num estilo um pouco diferente, lá vamos nós em família ( esposa, filha, sobrinha, prima ) para uma passagem rápida em Punta Del Leste, considerado um dos Balneários mais bonitos e bem frequentados do mundo. Hotel simples mas muito bom, localização perfeita e nos últimos finais de semana da temporada de verão ( estratégia pra não ficar caro ).
 Desembarcamos no Carrasco -  Aeroporto de Montevidéu - e subimos num ônibus com destino a Punta. O lugar é muito bonito, o mar, as praias calmas - tem praia de todo "sabor" - a brava no mar, e a mansa no Rio Prata. Curtimos as duas, mas praia mesmo é a do mar. Vale ressaltar que praia num estilo diferente se comparado ao Brasil. Tudo calmo na areia, você não vê quiosques ou vendedores, não se acha um lixo qualquer no chão, o rapaz do queijinho e do espetinho de camarão não aparecem. Tem o lado bom e o ruim. Um desses dias fomos ao Supermercado, compramos as coisas - bebidas, lanche - e fomos para a praia pois lá não tinha onde comprar. Agora se precisar de um Chimarrão, isso tem. O Sol "rachando" e a turma se deliciando com o mate. Cena que eu já tinha visto em Mar Del Plata, alias as condições da praia de Mar Del Plata são bem parecidas com as de Punta.
Punta não é pra qualquer um, e pode me incluir nesse qualquer um. É lugar de gente de posses. Restaurantes caros, Iates, lanchas, apartamento e casas grandiosas, Ferrari's e Porches desfilam na rua como se nada fosse. E eu lá, de mochilinha na mão olhando cardápios mais em conta. No fim deu certo. Rodamos a cidade, nos divertimos com a viagem em si, curtimos alguns restaurantes, tomamos sorvete de R$ 25,00 de Dulce de Leche e fomos felizes. Se algum dia eu ganhar um Titulo de Capitalização qualquer, o dinheiro e o tempo sobrar volta a Punta pra curtir meu carrão e gastar alguns milhares de pesos no Conrad cassino. Enquanto isso não acontece já tenho historia pra contar. Estive lá e conferi.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Polônia - Krakow - A Fábrica de Schindler - 2013


A minha formação e paixão por História sempre me fez ter o desejo de conhecer a Polônia. Muitas pessoas são fascinadas pela Guerra, pelo que ela fez, proporciona e proporcionou. Em se tratando de 2 Guerra, mais ainda. O Meu interesse não era, e não é, a Guerra em si, mas os "arredores" da Guerra, como está agora, etc... Então lá fui eu para a Polônia depois de uma viagem que misturou apreensão, medo, receio, mas no fim conhecimento e alegria ( me refiro a viagem de trem de Budapest na Hungria para Cracóvia-Kraków na Polônia ). ´Por lá, e ai vale para outras países envolvidos na 2 Guerra o assunto não fica em pauta. Não se fala muito nisso. Sabemos que aconteceu pois há ainda restos da Guerra, há muito monumentos erguidos aos Heróis de Guerra e há muitas flores com velas nas ruas. Os envolvidos e mortos na Guerra são rotineiramente homenageados, não há um dia certo pra isso. Interessante. Em Kraków cheguei num Terminal onde chegavam trens e ônibus. Como sempre, fui ao Guichê perguntar sobre os novos destinos, como ir, etc... Diferente daqui no Brasil o Terminal lá era privado, de uma determinada empresa e só dava informações daquela empresa. Como o meu próximo destino - claro sem não antes conhecer os Campos de Concentração - era Berlim, ninguém me informava nada de Berlim. Foi sofrido. A tal da moça mal educada e eu lá tentando obter informações. Sem elas, partir para procurar o Albergue a pé mesmo. No Caminho encontro com uma Freira. Lá nasceu Carol, um dos últimos papas. Infelizmente ela não falava Ingles e pra piorar eu pronunciava o nome da rua errada - vou lá eu saber qual a silaba tônica em Polônes? Mas cristã que era, parou uma moça local que falava Ingles, perguntou pra ela em Polones a moça me explicou em Ingles. Tudo resolvido. Já no Hostel que diga-se de passagem tinha cortina transparente no quarto, assim da recepção você enxergava lá dentro do meu quarto, o resto beleza.
Destino: conhecer a fabrica de Schindler retratada no filme a Lista de Schindler. Se não sabe quem é Oscar Schindler, para aqui a leitura e faça uma pesquisa antes de continuar. A fábrica hoje é um museu com partes reformadas e com partes e maquinas, equipamentos, originais da época de seu funcionamento. A Lista da sobrevivência. Não é possível descrever. A experiência mora com a gente, e nem sempre é possível passa-la principalmente nestes casos. Vá. Ir até a fábrica foi simples. Explicação com o garoto do Albergue, ônibus e lá vamos nós desbravando a Cracóvia. Isso sim é felicidade. Conhecemos vários  outros locais, o principal o complexo de Auschiwitz que você poderá conferir em outros posts da Polônia.
Taylor de Freitas

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Portugal - Lisboa - 2013

Falar que eu conheço Portugal eu não posso, mas falar que eu não conheço também não posso. Explico: Incluir um pais a mais na lista dos locais visitados é sempre importante, portanto, quando é possível encaixar pelo menos uma passagem rápida não se pode perder a oportunidade. Conheci rapidamente Lisboa. O suficiente para percorrer algumas ruas, conhecer os bairros "chiados" da cidade onde concentra-se muita gente e comer o tal do Pastel de Belém. Claro, a esposa comprou algumas lembrancinhas da cidade com uns galos desenhados e
comeu alguns doces, e olhou uns outros. O que tem de loja de doce é brincadeira. Tudo isso só foi possível em função de uma escala de um voo que ia para Praga. Na sua maioria o pessoal fica bravo em esperar em aeroporto, estações de trem, ônibus, etc... eu tento fazer disso parte da viagem; primeiro de forma simples: observar: Só o fato de ficar observando as pessoas nas suas diversidades é uma grande viagem. Uma das outras maneiras é aproveitar o tempinho disponível. O que aconteceu em Lisboa. A conexão me permitiu e deixamos a bagagem no Aeroporto, procuramos um ponto de ônibus e informações e lá fomos nós explorar um pouquinho de Lisboa. Evidente que Portugal merece uma viagem, mas em quanto o tempo e o dinheiro não permitem posso dizer que já conhece o país.
* Os posts são publicados não na ordem das viagens. O tempo não permite, e sempre que possível faça algum pequeno relato de viagem, mas sem me preocupar com a cronologia.
Taylor de Freitas

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Hungria - Budapeste - 2013

Quando comecei a preparar o roteiro para esta viagem que incluiu além da Hungria, Eslováquia, Alemanha, Polônia, Republica Checa, Áustria a cidade de Budapeste, a Hungria, gerou duvidas. Ainda bem que a dúvida ficou pra tras e eu fui. Este é um outro local que visitaria novamente, ao lado da Polônia, do Chile, de Praga. Não estava dando nada pra cidade que me surpreendeu. Vamos aos fatos. Vim de ônibus de Viena na Áustria para Budapest, aliás, a melhor viagem de ônibus no melhor ônibus até hoje. Students é o nome da empresa. Melhor que muitas companhias aéreas, com serviço de bordo, filmes, games, etc... só não voou até porque esse não era o objetivo. Cheguei em Budapeste e com papelzinho de anotações na mãe desci no meio do caminha, não fui até o terminal. Estava próximo a uma estação do metro. Embarquei no "danado", detalhe, pro lado errado. Um sujeito meio chapado numa bicicleta - isso mesmo, bicicleta, não só por lá, mas em vários países pode levar a bicicleta no metro, no ônibus, pode ir com o seu cachorro, só sogra que sem sempre é permitido carregar. Então, esse sujeito já percebeu a minha cara de espanto e de turista desavisado. Perguntou em Hungaro e eu claro, não entendi, ele arranhou um Inglês misturado com mímicas e me explicou toda a simbologia da cidade. No metro havia umas placas com os nomes das estações e com muitos símbolos, este símbolos indicavem onte era a estação de trem, de ônibus, de metro, aeroporto e por ai vai. Ou seja, o mapa da mina. Com isso cheguei no mês destino.
Em Budapeste por questão de custo aluguei um apartamento e não um hotel. Achei fácil o endereço, difícil foi entrar. A frente do lugar era horrível, de dar medo, não tinha ninguém pra me atender e isso era por volta de 18:00hs, quase escurecendo ( lá o sol se põe no verão por volta das 20:00hs ) e au só achei o interfone do "meu" apartamento que ficou roxo de tanto eu tocar e ninguém atender. Do lado um telefone público. Ai você pode calcular. Na Hungria utilizar um telefone público pra ligar pro cara do apartamento pra saber como eu entro. Isso é a viagem. Fui numa loja ao lado com o papel do telefone que eu tinha que não funcionava, a atendente me explicou que faltava um zero, tipo o 9 na frente dos celulares do Brasil. Lá vou eu novamente, colocando moedinhas húngaras no telefone público e falando com o cara. O problema é que eu que já não sou bom no Inglês, imagina conversar pelo telefone com um Hungaro que fala Inglês. Dureza. Mas nos entendemos e descobri que tudo funcionava através de códigos e senhas que abrem as portas, acendem as luzes e por ai vai. Por dentro até que o apartamento era bom, mas por fora, era exatamente a vila do Chaves. No fim ficou bom. Pra além do Rio Danúbio Budapeste conta com museus e ex-delegacias do comunismo onde muitas pessoas foram torturadas e mortas, tipo ocorria no golpe militar brasileiro. Estes locais estão abertos a visitação, um deles é o museu do terror. Não precisa explicar. É o terror.
Praticamente não usei mais transporte publico em Budapest, comprei um Ticket do ônibus turístico que valia para 2 dias e como ele ia pra todos os lugares, não gastei com metro. Pegava o Bus Turistico e ia pra toda a cidade. Alegria pura. Cidade segura e com gente de todos os lados. Bares movimentados, muitas, eu disse muitas pessoas a noite não vão aos bares. Compram suas bebidas e comidas nos markets e bebem e se divertem nas praças, nas calçadas. É uma cena comum na noite de Budapest.
Taylor de Freitas

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Polônia - Cracóvia Krakow - Birkenau - Agosto/2013

Grande parte das pessoas quando pensam em conhecer a Polônia faz uma relação direta com a Segunda Guerra Mundial e claro não poderia ser diferente. Tal como quando se fala em Brasil pensam em Futebol, quando falamos em Polônia pensamos em Guerra, alguns lembram do Papa também. A Polônia na região de Cracóvia ( Kraków ) é conhecida por abrigar Auschwitz - Campo de Concentração e extermínio da 2. Guerra. É bom saber que haviam vários Campos em vários países, eu mesmo fui a Terezin na Republica Tcheca, outro campo de Concentração, mas não de extermínio. Alguns Campos só mantinham as pessoas, outros exterminavam. A
o lado de Auschwitz está Birkenau que faz parte do complexo de Auschwitz, nome dado em Alemão para Oświęcim que é o original. Alias, quando for pegar o ônibus, ver placas, etc... procure por Oświęcim, Birkenau é maior que o Auschwitz é foi o local exato responsável por muitas das execuções. O clima por lá é pesado. Para quem assistiu a Lista de Schindler poderá perceber na foto a linha férrea por onde chegavam as famílias que acreditavam, inicialmente, estar indo para uma fazenda, fugindo da guerra, para trabalhar e ter a família ao lado. Grande engano. Chegar a Auschwitz é relativamente fácil quando você está em Cracóvia na Polônia. Existem ônibus de 20 .em 20 minutos, custo baixíssimo. Não é necessário contratar agencia ou coisa do tipo. Lá é muito organizado. Você paga um valor simbólico para entrar e ter uma visita guiada ( todas as visitas são guiadas ) em praticamente todas as línguas ( em português não tinha ). É praticamente tudo liberado. Fotos, entrar nas casas, nas celas, nos locais de extermínio. Quer saber o quanto a sua vida é boa. Passe por Birkenau e Auschwitz.

Pra chegar na Cracóvia existe algumas opções. Eu vim da Hungria de trem. 12 Horas de viagem, troca de trem no caminho ( imagine 4:00hs da manha descer numa estação de trem no interior da ^Polônia - Katowice - e pegar um trem local pra seguir viagem. Tudo de bom. Seguro, tranquilo e frio. Além de conversar com as pessoas locais. Detalhe: conversar via mímica. As pessoas mais velhas geralmente não falam Ingles.
Taylor de Freitas

sábado, 31 de agosto de 2013

Hungria com destino a Polônia - Agosto/2013

Uma das histórias mais interessantes ocorreu justamente no dia que tive mais problemas durante minha estadia na Hungria. Primeiro confirmar que gostei muito de Budapeste onde fiquei hospedado em um apartamento estilo a "Vila do Chaves". Sempre faço o seguinte: quando chego na cidade já procuro comprar minha passagem de ida para o próximo destino para não ter surpresas, até porque já
O trem no qual eu viajei não era esse, era mais simples
tinha informações que sair da Hungria não oferece muitos horários, principalmente pra mim que iria para o interior da Polônia. Nos 3 dias que fiquei lá foram em busca de um ônibus, um trem, um camelo que me levasse a Kraków na Polônia. Os ônibus estavam esgotados os poucos horários então lá vamos nós em busca do trem. Fui na estação e poucas pessoas falavam Ingles, fui então encaminhado para um setor, la dentro da Estação de trem onde me atenderiam em Ingles e com mais rapidez pois a fila era enorme. Depois de muita luta e pagando caro por ser de ultima hora ( foi a passagem mais cara que paguei na Europa, cerca de R$ 350,00 0 passagem comprada. Fiquei meio desconfiado e sabia que algo estava errado ali. Voltei na senhora e perguntei novamente se aquele ticket me levaria até a Cracóvia, se era direto, seu eu precisava fazer algo mais. Ela me disse que estava perfeito e me desejou boa viagem. Desconfiado que sou no dia da viagem cheguei 1:30hs antes do horário pois pressentia algo errado. Perguntei novamente a outra atendente - eu ia dizer mal educado, mas vamos dizer que para ela não era um dia bom, me tratou mal, fiquei triste, mas fazer o que, rs - ela também disse que estava quase tudo bem, mas que eu deveria ter feito a reserva. Como eu não tinha feito, pedi a ela que fizesse então. A danada me respondeu que não havia mais. O desespero começou a bater e quando o trem de muitos vagões chegou lá ia eu buscar informações. Coloquei a Fernanda em um vagão e disse: fique ai, pra algum lugar nós vamos. Sai perguntando de vagão em vagão e todos mal educados me diziam que não tinha como eu chegar na Cracóvia. Ouvi o primeiro apito e apareceu um garoto que trabalhava no trem que me disse que para ir a Cracovia eu deveria reservar no vagão cama, mas eu não tinha reserva e não tinha mais como fazer, estava lotado. Me orientou que entrasse num determinado vagão ( por sorte era o que a Fernanda estava ) e desembarcasse em Katowice
, no interior do interior da Polônia e pegasse outro trem até chegar em Kraków. Assim foi. Entrei, o trem partiu e nós sem lugar pra sentar fomos revezando espaços até descer, pegar outro trem ( este ultimo caindo os pedaços e chegar no Destino ). Pra salvar a viagem, sentei ao lado de uma garota, Rita, que é Húngara, trabalha no Governo da Eslováquia vendendo computadores pro mundo, vai entender. Em nossa conversa me disse que seus pais formavam um casal de alemães e húngaros e que sua vó era sobrevivente de Auschwitz, meu próximo destino. Assunto guerra na casa dela: proibido. Rasgamos um longo papo. Era o início de uma viagem regada a azeitona ( a fome apertou, não tinha o que comer e nem onde comprar, achei um pacotinho de azeitona na mochila que fez a alegria até chegarmos ao Terminal em Kraków. Vida, ou melhor, viagem que segue.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Republica Checa - Cerveja e Joelho de Porco - Agosto/2013

Tem sempre uns lugares que você diz. Um dia eu volto lá. Praga na República Checa é um destes lugares. Ficamos hospedados no Residence Tabor que não é na área central. Fiquei meio assustado quando cheguei na rua do Hotel. Era um domingo e estava meio deserto. Aquelas construções antigas, tudo muito feio. Ficou só na primeira impressão, que foi errada. O Hostel era muito bom, pessoal super simpático, vários bondes faziam parada na porta do Hostel.
 
Dai pra frente foi só alegria. Pudemos explorar a cidade de cabo a rabo. Acho que nunca andei tanto assim. Pra melhorar, o custo é bem aceitável, de tudo. Cerveja a vontade e joelho de porco com pepino e uns molhos. Praga também ainda guarda recordações da Guerra e do comunismo. Becos, ruas estranhas, e um clima agradável com pessoas sempre prontas a te ajudar. Contratamos um Tour - contratar é o modo de falar pois era gratuito - e lá fomos nós ouvir as Histórias e Estórias de Praga em Espanhol, sobretudo do Relógio Astrônomico e da Igreja que ainda guarda partes da destruição da Guerra. Com um transito tranquilo feito e com um transporte público praticamente perfeito não usamos Taxis em nenhum momento. Tudo feito a pé, de Bonde e Metro. Muitas fotos, algumas amizades - Felipe, Carol e Ana foram as marcantes. Restaurantes, praças, bebidas e comidas. Além disso, de Praga foi possível ir a Terezin - que foi usado como forte de Guerra na 1. Guerra Mundial, prisão de comunistas e Campo de Concentração - não extermínio - na 2. Guerra. Mais sobre Terezin em outro post. Voltando a Praga, a passagem por vá foi tão boa que cheguei em Praga, fui pra outros países e na mesma viagem, 17 dias depois lá estava eu em Praga novamente. Na matemática posso considerar que já fui lá 2 vezes. 

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Berlim - O Muro e a Guerra - Agosto/2013

Falar em Berlim é lembrar do Muro que dividia a Alemanha em Ocidental e Oriental. Um dos locais mais conhecidos é o Check Point Charlie onde

Foto tirada dos Arquivos de Auschwitz
fazia-se a verificação das pessoas que "mudavam" de Alemanha. Ainda em 2013, e acho que talvez pra eternidade pode se perceber as duas Alemanhas. A Ocidental moderna e a Oriental, entrando na modernidade mas é perceptível os rastros da forma de vida quando ainda existia o muro. Andando por Berlim você encontra vários pedaços do muro espalhados pela cidade, como blocos, e fazendo parte do cenário e ponto de atração turística. Há ainda algumas partes preservadas do Muro. Uma delas se tornou em um museu, e outra na maior galeria de arte a céu aberto do mundo. Vários artistas puderem pintar suas telas no Muro. Conhecer a Alemanha, Berlim é viver a guerra e a divisão das Alemanhas, mas é uma vivência de fora para dentro, ou seja, os Alemães mesmo me pareceram, e não podia ser diferente, gostar muito do assunto, acho que ficam até meio envergonhados pelos fatos.
 
Não se fala em Hitler, não se fala em guerra. Se vive isso pois é impossível desvencilhar-se de um passado principalmente tão próximo. Sobreviventes de Guerra, famílias destruídas, entre outros convivem entre si. Em um outro post conto sobre um encontro com uma garota da Hungria, Rita. O pai dela é Hungaro e a mãe Alemã. A vó dela é sobrevivente do Auschwitz. Nas palavras dela. "O assunto guerra na minha casa é proibido". Voltando a Berlim é um cidadão. Dei sorte. No final de semana que estive por lá havia um Festival de Circo na Praça AlexanderPlatz. Passei o dia legal. Fiquei hospedado na rede de Hostel Meininger. É um Super Luxo 6 estrelas comparado aos outros nos quais já dormi. Gente do mundo inteiro numa cidade intensa. Povo educado, cidade limpa, transporte público de qualidade, muita bicicleta, e cerveja nele. Só as coisas ( comidas e bebidas ) não eram tão baratas como na Republica Checa e na Eslováquia, mas em compensação eram mais em conta que Viena na Áustria - eita lugar caro.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Europa: lá vamos nós

Então, tudo começou há alguns anos, e aos poucos foi ganhando força. Assim sendo, lá vamos nós de novo. Desta vez, Europa ( Portugal - rapidinho -, República Checa, Áustria, Eslováquia, Hungria, Polônia e Alemanha. 22 dias "rodando". Cansativo com certeza. Mas valerá por tudo. Alguns objetivos. Campos de Concentração em Praga - lá existem Campos Modelo de Hitler. Auschwitz em Kraków na Polônia e Berlim no muro, especificamente na passagem do "Ocidente para o Oriente" e vice-versa. O tal do Facibuque quase que "matou" os blogs, mas se aqui ele está, algumas linhas não fariam mal algum.
Taylor de Freitas

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Chile - Agosto/2012

65 cm de Neve no chão.
Dos locais que eu conheço Santiago no Chile com certeza está na lista dos que eu voltaria ( ainda volto ). Um cidade muito organizada, com pessoas educadas, preços justos, transporte coletivo de primeira. Parece uma Europa ( tem gente que acha ruim dizer que na Europa que é bom e que o Brasil não é, mas em se tratando do coletivo, das coisas pra comunidade, não da pra comparar, o Brasil fica pra trás ). Só usei o Taxi para ir e vir do Aeroporto, o resto foi de metro e ônibus, e claro, as longas caminhadas, sem elas não tem graça. Santiago tem uma ótima rede de metro que vai além do centro da cidade. Fui visitar a vinícola Concha y Toro que fica um pouco afastada mas me virei no metro e no ônibus. Barato e valoriza a viagem. Detalhe: o ônibus tinha até música ao vivo. Santiago foi no estilo semi-mochileiro. A esposa foi junto então fica complicado a viagem muito "trash" como se diz por ai. Mas prevaleceu o Albergue ( Hostel Providencia - recomendado ) e os estilos simples, com economias, bate papo com os outros, cerveja e comida dividida, e por ai vai.

Já havia tido contato com a neve, mas muito pouca coisa. Senti o cheiro de Neve quando morei em Campos do Jordão, na Bolívia consegui ver as montanhas com Neve no topo e na África do Sul, alguns "respingos" caíram sobre mim. Mas no Chile foi demais. 65, 70 cm de Neve. A gente afundava na neve. Um cenário realmente inesquecível em Farellones. Eu claro, me vesti todo, peguei o esqui e fiquei olhando. Sou radical, mas não nos esportes.
Taylor de Freitas

quinta-feira, 21 de junho de 2012

África do Sul - Fazendo amizades

Aqui na Africa do Sul existem muitas pessoas do Oriente Médio que vêem estudar Inglês, trabalhar dentre outros. Na escola onde estou tem toda uma família. Pois bem, aos poucos fomos nos aproximando e o inimaginável aconteceu. “Discuti”com eles a existência ou não de Deus, as proibições de sua religião, dentre outras coisas, detalhe, em Inglês. Para os que me conhecem um pouco podem saber como me senti. Foi simplesmente sensacional e muito tranqüilo. São muito generosos e agradáveis. Claro que eu precisava registrar isso mas fiquei meio tímida em solicitar para tirar uma foto com eles, mas ao perceberam que eu queria foram simpáticos em aceitar. Isso não tem preço. Na sessão “fazendo amizades”duas coisas interessantes: A primeira foi o senhor do violão. Ele estava tocando perto do lugar onde almocei. Aproveitei pra fazer amizade e tocar umas 3 musicas em Português na rua. Claro que não perdi a oportunidade de imitar o senhor o pedir umas moedas, mas não fui bem. O povo até parava na praça mas não caiu nada no meu chapéu. A outra foto da sessão “fazendo amizades”é , pelos menos pra mim, engraçada. A rua por onde passo para ir e voltar da escola tem alguns moradores de rua, então vou aos poucos conversando com todos, etc... prometi a uns deles, o garoto a minha direita que “tomorrowm”eu daria algum dinheiro a ele. Tem um três dias que é “tomorrow”(amanha), mas hoje caiu a ficha dele de manha que me disse: “Todo dia você me diz “tomorrown”, assim você nunca vai me dar” Eu claro “chorei de rir”, no entanto, voltando da escola separei algum valor para dar a ele, mas confundi os garotos e dei o dinheiro pra pessoa errada. Quase chegando em casa ouço alguém me gritar e quando olho era o garoto. Eu disse a ele que tinha acabado de dar o dinheiro e ele não devia estar me cobrando. Resumindo: O outro contou a ele que eu havia dado dinheiro e ele ficou “puto da vida” por eu ter prometido a ele e entregue o dinheiro ao outro. Ou seja, amanha tenho que recompensa-lo. Não são agressivos, não vi nenhuma cena ou notícia de assalto ou coisa do tipo. Trate-os bem e será bem tratado. E assim minha passagem pela África continua. No fim de semana vou conhecer a prisão onde ficou Nelson Mandela e no outro fim de semana dormir na selva: vou ao Safári. Por enquanto é isso.
 Taylor de Freitas - África do Sul - Jun/2012

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Primeiras Impressões - Africa do Sul Junho/2012

A expectativa de estar em um país que não é o seu é grande, imagina então quando o continente é outro, e ai imagina quando este continente é o Africano. É isso ai. As pessoas aqui são muito receptivas e fazem de tudo para agradar. Já tive oportunidades de ir para outras países além do Brasil, estive em locais onde viviam tribos indígenas (Andes) e percebia pessoas falando suas linguas nativas, mas aqui isso é multiplicado e com uma diferença: no centro da cidade, no supermercado, em todos os lugares. O motorista me disse que um lado da cidade fala Shosa e o outro Africaner e todos falam Ingles mas quando é necessário. Tem orgulho de suas raizes e mantem a lingua. O centro de Cape Town é melhor que qualquer centro no Brasil. Muito organizado, policiais por toda o centro 24 horas, transporte bom, muito sinalizado ( aqui é mão inglesa ) dentre outras coisas. Os policias percebem quam são os turistas e conversam dando informaçoes sobre segurança, etc.... Por outro lado há pessoas na rua pedindo dinheiro e as favelas aqui são mais desorganizadas que as brasileiras, se posso dizer assim. Existe uma extrema pobreza ã margem das grandes estradas. Aproveitando a viagem estou fazendo um curso semi-intensivo de Ingles na ELS Cape Town. Na minha sala tem Iraniano, Nigeriano, Angolano, Colombiano, Alemão e Francês: isso pra mim é sensacional. Hoje conversei com um Saudita. O cara super educado. é tipo eu, não é dos melhores no Ingles, mas se faz entender. No voo, a tripulação toda era de negros; perfeitos. Alegres, divertidos e o principal; simples. Tomei café no voo juntamente com eles na "cozinha"do avião, isso não tem preço. É isso: por saber que o mundo é muito desigual e por imagem, de forma geral, negativa que se tem da África posso dizer que os problemas por aqui não são diferentes de outros países, mas que o povo Africano é pura alegria. Espero que possa continuar tendo esta impressão com o passar dos dias que ficarei em solo Africano.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Africa do Sul - Informações

Pois bem, seguindo viagem sem ainda partir, mais algumas informações sobre a Africa do Sul, onde, atualmente a língua predominante é o Ingles devido, claro à sua colonização mas ainda existem, para o bem da cultura, várias outras línguas, dialetos utilizados entre eles, o Africâner utilizada pelos Bôeres ( sul-africanos descendentes de europeus calvinistas ) O Africâner recebe influência do Inglês, Holandes e outros dialetos e também é muito utilizado na Namíbia. Com suas três capitais ( imagina se aqui no Brasil tivéssemos três “Brasílias” ai sim a coisa estaria pior ) Pretória (administrativa), Bloemfontein (judiciária) e Cidade do Cabo (legislativa). A moeda utilizada é o RAND que hoje vale cerca de R$ 0,23 (vinte e três centavos). Sabemos através daqueles livros que lemos na Escola que todo Africano é “preto”. Mentira, principalmente hoje com a tal da globalização. Na Africa do Sul 70% são negros, 13% são brancos e os outros 17% são indianos, asiáticos e de outras etnias espalhadas pelo mundo. Na hora da fome você pode escolher entre degustar um antípole , um crocodilo ou um bobotie ( cozido de carne moída, pão, leite, cebola, castanhas, passas, damascos, curry ). Para acompanhar beba um licor de Marula ( veja a turma preprando ) colhida no pe, se os elefantes deixarem. Se tiver problema de estômago, sem problema, a própria folha do pé de Marula é um santo remédio. Se está ainda na dúvida, ainda é tempo; vamos.
Taylor de Freitas

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

África do Sul - Safári

Como o ano está terminando, mas o outro está começando e ainda, com ao cada dia fazemos mais coisas e por isso temos a impressão que o tempo é menor, e diante dessa impressão ele – o tempo – parece mesmo passar mais rápido, começo agora aos preparativos finais da viagem à Africa do Sul. É tão simples, mas não custa explicar que a África é um continente tipo Europa, entende, e que dentro da África continente é que ficam os países, dentre eles; Angola, Egito e Africa do Sul, meu principal destino. A viagem segue alguns rituais – simplicidade x simplicidade e custo calculado – mas não se pode ir à Africa e deixar de comparecer à um Safári. Algumas são as opções que deixarei pra definir por lá, pois tem a questão tempo a ser também calculada – Os safáris podem ter duração de 01 a 04 dias e quanto mais se adentra à Africa, mais possibilidades existem. Como não sou um caçador, provavelmente optarei por uma mais próximo sem a ilusão de ver ao mesmo tempo o Big Five ( termo utilizado para indicar os 05 mamíferos mais difíceis de serem capturados pelo homem , Leão, Búfalo Africano, Elefante Africano, Leopardo e o Rinoceronte.

Por aqui estarei postando fotos, comentários e caso alguém queira encomendar um filhote, basta enviar os pedidos tendo a certeza de que não serão atendidos.

Taylor de Freitas

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Próximo destino: África do Sul

Quem acompanha, mesmo que de longe, alguns escritos por aqui sabe do meu desejo de viajar ( mais desejo do que efetividade ). Sabe também do estilo. Sempre simples num modelo quase mochileiro. Da aventura que foi sair de Divinópolis-MG, cortar toda a Bolívia e ir até Machu Picchu-Peru sem usar a modernidade do avião. 9.850 Km, tudo feito por terra, água e trilhos, nesta ao lado de
dois amigos que agora não poderão me acompanhar. Na Argentina e Uruguai fomos mas em épocas diferentes. Agora nova empreitada. A Geografia não permite que eu dispense o avião, mas mesmo assim será nos moldes tradicionais da simplicade, dos albergues, e meio que no estilo conta própria. Alguns problemas estão à vista. Outro continente, meu Inglês é Bad - vou aproveitar e fazer umas aulas por lá - mas como cidadão do mundo que todos somos, o gestual para se pedir comida e pagar por ela é conhecido universalmente e tudo fica resolvido.
Sem os meus fiéis - será - companheiros parto rumo à Africa do Sul dia 16/06/2012. Serão apenas 21 dias - apenas - de um novo aprendizado. A convivência com os outros. Como de costume por aqui contarei a viagem. Até lá, postarei alguns dos locais que prentendo visitar.
Novamente vale a dica: programando-se bem e com um pouquinho de coragem podemos ir a qualquer lugar, É a tal globalização.
Taylor de Freitas

Casa de cada um

Nesta época, gosto de tratar da vida. Dou a roupa que não uso mais. Livros que não pretendo reler. Envio caixas para bibliotecas. Ou abandono um volume em um shopping ou café, com uma mensagem: "Leia e passe para frente!".
Tento avaliar meus atos através de uma perspectiva maior.
Penso na história dos Três Porquinhos. Cada um construiu sua casa. Duas, o Lobo derrubou facilmente. Mas a terceira resistiu porque era sólida. Em minha opinião, contos infantis possuem grande sabedoria, além da história propriamente dita. Gosto desse especialmente.
Imagino que a vida de cada um seja semelhante a uma casa. Frágil ou sólida, depende de como é construída. Muita gente se aproxima de mim e diz: Eu tenho um sonho, quero torná-lo realidade! Estremeço.
Freqüentemente, o sonho é bonito, tanto como uma casa bem pintada. Mas sem alicerces. As paredes racham, a casa cai repentinamente, e a pessoa fica só com entulho. Lamenta-se.
Na minha área profissional, isso é muito comum. Diariamente sou procurado por alguém que sonha em ser ator ou atriz sem nunca ter estudado ou feito teatro. Como é possível jogar todas as fichas em uma profissão que nem se conhece?
Há quem largue tudo por uma paixão. Um amigo abandonou mulher e filho recém-nascido. A nova paixão durou até a noite na qual, no apartamento do 10º andar, a moça afirmou que podia voar. Deixa de brincadeira , ele respondeu.
Eu sei voar, sim! rebateu ela.
Abriu os braços, pronta para saltar da janela. Ele a segurou. Gritou por socorro. Quase despencaram. Foi viver sozinho com um gato, lembrando-se dos bons tempos da vida doméstica, do filho, da harmonia perdida!
Algumas pessoas se preocupam só com os alicerces. Dedicam-se à vida material. Quando venta, não têm paredes para se proteger. Outras não colocam portas. Qualquer um entra na vida delas.
Tenho um amigo que não sabe dizer não (a palavra não é tão mágica quanto uma porta blindada). Empresta seu dinheiro e nunca recebe. Namora mulheres problemáticas. Vive cercado de pessoas que sugam suas energias como autênticos vampiros emocionais. Outro dia lhe perguntei: Por que deixa tanta gente ruim se aproximar de você?
Garante que no próximo ano será diferente. Nada mudará enquanto não consertar a casa de sua vida.
São comuns as pessoas que não pensam no telhado. Vivem como se os dias de tempestade jamais chegassem. Quando chove, a casa delas se alaga.
Ao contrário das que só cuidam dos alicerces, não se preocupam com o dia de amanhã.
Certa vez uma amiga conseguiu vender um terreno valioso recebido em herança. Comentei:
Agora você pode comprar um apartamento para morar. Preferiu alugar uma mansão. Mobiliou. Durante meses morou como uma rainha. Quase um ano depois, já não tinha dinheiro para botar um bife na mesa!
Aproveito as festas de fim de ano para examinar a casa que construí. Alguma parede rachou porque tomei uma atitude contra meus princípios?
Deixei alguma telha quebrada?
Há um assunto pendente me incomodando como uma goteira?
Minha porta tem uma chave para ser bem fechada quando preciso, mas também para ser aberta quando vierem as pessoas que amo?
É um bom momento para decidir o que consertar. Para mudar alguma coisa e tornar a casa mais agradável.
Sou envolvido por um sentimento muito especial.
Ao longo dos anos, cada pessoa constrói sua casa. O bom é que sempre se pode reformar, arrumar, decorar!
E na eterna oportunidade de recomeçar reside a grande beleza de ser o arquiteto da própria vida.
Walcyr Carrasco - Dramaturgo Brasileiro

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A morte dos Blogs?

Há apenas uns 05 anos os “blogueiros” estavam em alta. Blogs para tudo e para todos. Surgiam diversos escritores, críticos, jornalistas, pregadores, e uma imensidão de títulos. Em suma. Tudo que fosse preciso se encontrava e ainda se encontra num blog. E o melhor, sem qualquer custo - além do tempo - e com possibilidade de ganho. A transformação e a necessidade de mais em menos fez surgir o microblog, o Twitter, onde em 140 caracteres você anuncia o assunto e apresenta o link. O interessado que vá a busca. O lado positivo é de que mais pessoas em menos tempo tem acesso a informações úteis e não úteis e as seleciona tendo contato somente com o tema de seu interesse. O lado ruim é que, sobretudo jovens, fiquem a cada diz mais focados em algo específico quando o mundo passa ao seu lado sem que ele perceba, afinal, os que eles “segues” só falam daquilo que fora escolhido. O seu mundo está criado. Por essa e por outros que ainda defendo a idéia de que o Jornal não deveria ter cadernos. As notícias Policiais misturadas às da Agenda Cultural com a da Gastronomia. Uma farofa de letras. Quem come farofa, prova um pouco de tudo.
Taylor de Freitas

segunda-feira, 9 de maio de 2011

ESTADUAL - O TUDO QUE NÃO VALE NADA E NADA QUE VALE TUDO

A disputa para saber quem será o Campeão Mineiro de 2011 se não pode ser considerada injusta é no mínimo estranha. De um lado o desconfiado Atlético. Treinador que veio para resolver, tirou a equipe do rebaixamento no ano passado, trocou várias peças do elenco e parou por ai. A Taça do Mineiro seria a oportunidade de pelo menos acalmar as coisas temporariamente. Do outro lado a equipe considerada por muitos a melhor do Brasil. Conjunto exemplar, goleiro em nível de seleção, camisa 10 de primeira, líder do estadual e melhor colocado na primeira fase da Libertadores. De um lado o salvador ( será mesmo o salvador ) Dorival Júnior e de outro o “pé frio” do Cuca. A disputa dos próximos dois jogos apresenta todos esses elementos. A ingratidão é simples ser explicada. Ao vencedor a normalidade de se vencer um estadual, ao perdedor a desonra, a vergonha de não vencer nem o estadual. Pior que isso. O perdedor já inicia o brasileiro desestabilizado e o vencedor corre o risco de começar iludido. Mais do que tudo é preciso consciência e sabedoria para entender qual e qual e as limitações de cada um.
Taylor de Freitas

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Morte em nome de que? Alguém ou algo pode salvar?

O massacre dos meninos no Rio de Janeiro foi um massacre religioso, como a matança dos inocentes de Herodes, o assassino foi um anjo da morte de um Deus louco, a sua carta mostra isso, na sua carta ele fala: pureza e impureza, virgindade, adultério, sangue intocável por fornicadores e seu enterro de filho virgem ao lado da mãe santa de onde Jesus o despertará.

O seu ritual de sepultamento, que ele descreve na carta é místico, ela fala; eu quero ser banhado e envolvido nu num lençol branco e puro como Cristo, espantosamente na carta vemos que ele massacrou em busca de perdão e para punir matando meninas principalmente, pecadoras, talvez no futuro, na cabeça dele.
Na história humana a idéia de Deus foi essencial para nomear o inconsciente da humanidade e saciar nossos desejos de eternidade, sem a idéia de Deus a civilização seria impossível, só, que com a falência da felicidade da esperança num mundo incompreensível de hoje Deus pode deixar de ser uma fonte de consolo e se transformar em um agente do terror.
Reaparece o mesmo Deus que queimou milhares de feiticeiras na idade média, o Deus do Irã que apedreja mulheres, o Deus que arma os homens bomba em nome de Alá, o Deus que jogou os aviões em Nova Yorque, os tempos trágicos de hoje, surgiu o Deus da morte. E a dor terrível que sentimos com esse crime é de abandono, o ato desse assassino nos faz sentir que estamos sozinhos e que Deus está ausente.”
Arnaldo Jabor - crítico, cineasta e jornalista